Workshop mapeia avanços para transformação digital da saúde em SP

O Programa Saúde Digital Paulista, por meio do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde Digital (PDI Saúde Digital), realizou em 11 de agosto o workshop “Mapeamentos de Saúde Digital e Requisitos Tecnológicos”. O evento estabeleceu a dinâmica e análise de informações coletadas de estabelecimentos de saúde. 

O PDI Saúde Digital é um programa da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP), em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Acompanhe seu blog para novas informações.

As duas primeiras fases — de planejamento e de criação da plataforma on-line para coleta de dados — já haviam sido concluídas. Ao longo de 136 dias, mais de 5 mil respondentes participaram da pesquisa. O estudo avaliou a prontidão para a transformação digital, identificando os requisitos tecnológicos já disponíveis e os que ainda precisam ser implementados.

Realizado no Centro Líder de Inovação em Saúde Digital do Estado de São Paulo, o encontro contou com a presença de convidados e especialistas do setor, entre eles: Dra. Maria Cristina Balestrin, Coordenadora de Saúde Digital da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP); Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva, Professor Titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e Coordenador do Programa de Pesquisa de Políticas Públicas (PPPP) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); Dr. Paulo Schor, Professor Associado e Livre-Docente da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e Gestor de Pesquisa para Inovação da FAPESP; e Dr. Gilberto Scarazatti, Consultor do Ministério da Saúde e Especialista em Saúde da GetConnect. Também participaram representantes da SES-SP e do PDI Saúde Digital.

 

Dinâmica e da terceira etapa

A abertura ficou a cargo de Michelle Louvaes, Gerente Executiva do PDI, que ressaltou a dimensão do levantamento: “A iniciativa alcançou resultados expressivos, com a participação de mais de 5 mil estabelecimentos. Esse marco só foi possível graças ao engajamento das equipes.”

O Dr. Gilberto Scarazatti, Consultor do Ministério da Saúde e Especialista em Saúde da GetConnect, traçou um panorama histórico da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (2004–2025), destacando o papel de São Paulo no cenário nacional: “O Estado de São Paulo tem autonomia para ampliar sua política pública. Isso abre espaço para inovações próprias, alinhadas às demandas locais. A tecnologia em saúde não é só infraestrutura, é visão estratégica — ela muda a forma de cuidar e de integrar sistemas, o que impacta diretamente a qualidade de vida da população”.

A Dra. Maria Cristina Balestrin, Coordenadora de Saúde Digital da SES-SP, destacou a dimensão única do mapeamento: “Não trabalhamos com amostras, fizemos um censo do Estado. Isso é extremamente rico e pode servir de referência para outros estados. A academia certamente ajudará a aprimorar as políticas públicas. Esse modelo simplificado pode ser compartilhado nacionalmente, permitindo entender melhor as necessidades de expansão dos serviços digitais e ofertá-los de forma adequada. O primeiro espaço de compartilhamento será com o COSEMS, que é o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, que articula ações conjuntas e compartilha práticas bem-sucedidas, para juntos desenvolvermos as melhores políticas de saúde digital do Brasil”.

A Coordenadora de Pesquisa do PDI, Marcele Buto, falou sobre a relevância da base de dados construída: “Este é um êxito importante. Acreditamos que as evidências geradas permitirão tomadas de decisões mais seguras. Trabalhar com dados confiáveis reduz incertezas e aumenta a efetividade das ações”.

A importância do projeto para a construção de políticas públicas também foi enfatizada por Paulo Schor, Professor Associado Livre Docente da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e Gestor de Pesquisa para Inovação da FAPESP: “O mapeamento será essencial para subsidiar políticas públicas, agora e no futuro. Ele permite entender o contexto real e construir soluções com base científica, pensando no impacto direto na qualidade de vida da população”.

 

Saúde digital em discussão

Os participantes se dividiram em duas oficinas. No primeiro momento, abordou-se a Teoria da Mudança, com moderação de Marcelo Bragatte, do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), e do Dr. Paulo Schor. Entre os temas debatidos estiveram a continuidade da política pública de transformação digital no Estado, as fases de progressão da maturidade em saúde digital, a sensibilização de usuários e profissionais para a telessaúde, a viabilização da telemedicina no SUS e as metodologias de monitoramento da política trianual.

Nesse contexto, o Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva, Professor Titular da FMUSP e Coordenador do Programa de Pesquisa de Políticas Públicas (PPPP) da FAPESP, ressaltou o valor cooperativo da iniciativa: “O diagnóstico detalhado permite compartilhar experiências entre unidades mais avançadas e as que ainda enfrentam desafios. Saúde é isso: cuidar, compartilhar e promover cooperação.”

Na segunda rodada de discussões, ocorreu a Oficina de Captação de Percepção, organizada em quatro jornadas: serviços de saúde do SUS no Estado, ensino e pesquisa em saúde, governança da saúde estadual e usuários. As equipes compartilharam experiências e sugeriram estratégias para ampliar a digitalização.

 

Encerramento e próximos passos

Ao final, os participantes destacaram a transparência na apresentação dos resultados do projeto inovador, que alcançou 99% das informações previstas e superou a marca de 5 mil respondentes, conduzido por uma equipe altamente dedicada e comprometida. 

De acordo com a equipe de Pesquisa do PDI, a próxima etapa (Fase 4) será a homologação do relatório e a definição de estratégias para implementar políticas públicas voltadas à transformação digital.